Noticia: Apelo dos Bispos caldeus contra a violência no Iraque
Bagdá, 01 dez (SIR/RV) - Os bispos caldeus do Iraque fizeram um apelo às autoridades religiosas muçulmanas para que condenem publicamente as violências perpetradas contra as minorias religiosas do país. Tal pedido emergiu na reunião dos prelados, realizada recentemente, em Erbil, coordenada pelo Arcebispo de Kirkuk, Dom Louis Sako. Numa mensagem, publicada pelo jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano, os bispos pedem aos líderes muçulmanos para que ajudem a esclarecer que as violências perpetradas contra os cristãos são ilegítimas e contrárias aos princípios da religião islâmica. Segundo a mensagem, depois do ataque perpetrado contra a catedral sírio-católica de Bagdá, em 31 de outubro passado, mais de sessenta famílias cristãs fugiram da capital e se refugiaram em Suleimaniya, enquanto outras oitenta foram para Erbil e outras ainda para os povoados cristãos situados na planície de Nínive. O encontro dos bispos, segundo o site Baghdadhope, não contou com a presença do Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Cardeal Emmanuel III Delly, que ficou em Bagdá por causa da difícil situação. Os prelados evidenciam na mensagem a importância de salvaguardar e consolidar a histórica presença dos cristãos no Iraque. Neste contexto, os bispos pedem aos cristãos bem de vida, que vivem fora do país, para que invistam na região a fim de criar emprego para seus irmãos iraquianos.
Noticia: Arquidiocese de Curitiba festeja 70 anos de vida de seu arcebispo metropolitano.
Curitiba (PR), 01 dez (SIR/Gaudium Press) - Foi com grande alegria que a arquidiocese de Curitiba, no estado do Paraná, comemorou nesta última segunda-feira, dia 29 de novembro, o aniversário de seu arcebispo metropolitano, Dom Moacyr José Vitti. A celebração eucarística em Ação de Graças pelos 70 anos do prelado foi realizada às 18h na Catedral Basílica de Curitiba, e contou com a presença de um grande número de fiéis. Dom Moacyr nasceu na cidade de Piracicaba, em São Paulo, no dia 30 de novembro. Em dezembro de 1960 professou votos na Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo ordenado sacerdote na Capela da Santíssima Trindade, em Campinas, no dia 16 de dezembro de 1967. Durante seis anos foi vice-geral da Congregação dos Estigmatinos, em Roma, deixando a função para assumir o cargo de provincial da Província de Santa Cruz no Brasil. Logo após, se tornou doutor em Teologia pela Universidade Angelicum de Roma. No dia 12 de novembro de 1987 foi eleito bispo auxiliar de Curitiba, sendo ordenado no dia 03 de janeiro do ano seguinte, na cidade de Americana, em São Paulo, com o lema “Um só coração”. De 1988 a 2002 ficou trabalhando como bispo auxiliar na capital paranaense, e de 2002 a 2004 exerceu seu episcopado na diocese paulista de Piracicaba. No dia 19 de maio de 2004 foi nomeado arcebispo de Curitiba, tomando posse no dia 18 de junho, na Catedral da cidade. No ano de 2007, o bispo foi eleito presidente do Regional Sul 2 (Estado do Paraná) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cargo que exerce até hoje. Aniversário de sacerdócio No próximo dia 16 de dezembro, o arcebispo celebrará também 43 anos de vida sacerdotal. Pela ocasião, o prelado teceu alguns comentários a respeito das qualidades necessárias ao homem para que ele seja um autêntico cidadão e profissional nos dias de hoje. Equilíbrio na afetividade humana, honestidade, sinceridade, convicção profunda na fé, diálogo, abertura para o outro e disponibilidade para o serviço são algumas dessas qualidades, assim como a especialização no campo da atividade a ser exercida, que no caso do arcebispo diz respeito a uma fundamental preparação e formação no aspecto humano, intelectual e espiritual. “Hoje em dia se faz cada vez mais urgente a necessidade de revigorarmos a responsabilidade na atuação da profissão, a prática da fé que professamos e a atuação na família, na escola, no trabalho e na Igreja como fermento de amor, justiça, solidariedade e fraternidade. E é isso que eu procuro viver todos os dias da minha vida”, diz o arcebispo.![]()
Noticia: Papa espera que novo livro seja «útil»
Cidade do Vaticano, 25 nov (SIR/Ecclesia) - Bento XVI espera que o novo livro «Luz do mundo» possa ser “útil para a fé de muitas pessoas”. A obra resultou de uma conversa entre o Papa e o jornalista alemão Peter Seewald, que decorreu no último Verão, em Castel Gandolfo, arredores de Roma. O livro-entrevista foi apresentado no Vaticano, neste dia 23 de novembro, e o Papa concedeu uma audiência privada aos editores internacionais da obra, na qual participou Henrique Mota, editor da Lucerna, marca da Principia, responsável pela versão portuguesa. Entre os temas abordados pelo Papa está o discurso pronunciado a 12 de setembro 2006, Na aula magna da Universidade de Regensburg (Alemanha), em que o Papa citou um diálogo entre imperador bizantino Manuel II Paleólogo (finais do séc. XIV, início do séc. XV) teve com um persa erudito sobre Cristianismo e Islã, afirmando que “não é razoável a difusão da fé mediante a violência”. Bento XVI admite agora que não teve em consideração que “o discurso de um Papa não é considerado do ponto de vista acadêmico, mas político”. A passagem sobre Maomé foi “extrapolada” e ganhou “um significado político que, na realidade, não tinha”. O Papa diz que da polêmica que se seguiu a esta intervenção surgiram coisas positivas, como “um diálogo verdadeiramente muito intenso” entre representantes das duas religiões. Ao contrário do que as manifestações dessa altura evidenciaram, católicos e muçulmanos estão “comprometidos hoje numa luta comum, a defesa dos valores religiosos”. Ainda a propósito do Islã, Bento XVI considera “importante” desenvolver contactos “com todas as forças muçulmanas abertas ao diálogo, para que se possam produzir mudanças”. Nesta obra, o Papa afirma que não compreende a interdição do véu integral (burca), considerando que se as mulheres islâmicas “o desejam usar, não vejo porque se deva impedir”. Bento XVI indica, no entanto, que “não se pode estar de acordo” se as mulheres não usarem o véu de forma voluntária, mas como uma “espécie de violência que lhes é imposta”. “Os cristãos são tolerantes”, diz o Papa, considerando natural que os muçulmanos se possam “reunir em oração, nas mesquitas” em países de maioria cristã e congratulando-se com a existência de igrejas nos países do Golfo árabe, algo que desejou venha a acontecer “em todos os lugares”.
Noticia: Bento XVI: Critério de grandeza não é o domínio, mas sim o serviço.
Cidade do Vaticano, 20 nov (SIR/RV) - Durante a cerimônia que se realizou na Basílica de S. Pedro, Bento XVI criou, neste sábado, 24 novos cardeais. Após a saudação litúrgica o Papa leu a fórmula de criação e proclamou solenemente os nomes dos novos cardeais, para os unir com “um vínculo mais estreito à Sé de Pedro”, tornando-se membros do clero de Roma. Em seguida, o cardeal Ângelo Amato, primeiro da lista, pronunciou um discurso de homenagem a Bento XVI, em nome de todos. Recordou que não obstante os desafios, as dificuldades e as perseguições, a Igreja de Cristo não cessa de proclamar cada dia, em todas as partes do mundo o amor de Deus pelos homens, de irradiar em todo o lado a luz do Evangelho, de insistir no anuncio da Palavra de Deus. “E – salientou – não se pode iludir o risco de não ser compreendidos, de ser recusados, e de ter de estar dispostos também ao testemunho extremo”. Depois da proclamação das leituras o Papa proferiu a sua homilia onde recordou que o estilo de vida de Jesus que não veio para ser servido mas para servir, deve estar na base das novas relações no interior da comunidade cristã e de uma nova maneira de exercer a autoridade. Comentando o trecho do Evangelho Bento XVI sublinhou o fato de diante de Jesus os discípulos terem revelado a sua dificuldade a compreender e a efetuar o necessário êxodo de uma mentalidade mundana para a mentalidade de Deus, continuando a procurar posições de prestigio e a gloria pessoal. “Mas Jesus – recordou o Papa dirigindo-se aos novos cardeais que vestem de cor vermelha porque são chamados a servir a Igreja até ao derramamento do próprio sangue – sintetiza a sua missão sob a categoria do serviço, entendido não em sentido genérico, mas em sentido concreto da Cruz, do dom total da vida como resgate, como redenção para muitos, e indica-o como condição para o seu seguimento”. “O olhar - acrescentou o Papa – vai para o comportamento que correm o risco de assumir aqueles que são considerados os governantes das nações: dominar e oprimir. Porém na Igreja não é assim, existe um estilo diferente: é uma mensagem – disse ainda o Papa – que vale para os Apóstolos, vale para a Igreja inteira, vale sobretudo para aqueles que têm tarefas de guia do Povo de Deus”. “Não é a lógica do domínio, do poder segundo critérios humanos – concluiu Bento XVI – mas a lógica do inclinar-se para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da cruz que está na base de qualquer serviço de autoridade. Em todos os tempos a Igreja empenhou-se a conformar-se a esta lógica e a testemunhá-la para fazer transparecer a verdadeira Senhoria de Deus, a do amor”. Depois da homilia papal, teve lugar a profissão de fé e o juramento dos novos cardeais, de fidelidade e obediência ao Papa e seus sucessores, “a Cristo e o seu Evangelho”. Cada um deles aproximou-se do Papa e ajoelhou-se, então, para receber o barrete cardinalício, que Bento XVI impôs pronunciando a fórmula “vermelho como sinal da dignidade do cardinalato, significando que deveis estar prontos a comportar-vos com fortaleza, até à efusão do sangue, pelo aumento da fé cristã, pela paz e a tranquilidade do povo de Deus e pela liberdade e a difusão da Santa Igreja Romana”. Nesta altura, o Papa atribuiu a cada cardeal uma igreja de Roma (título ou diaconia) - simbolizando a participação na solicitude pastoral do Papa na cidade - e a bula de criação cardinalícia. Um abraço de paz selou este momento. O rito concluiu-se com a recitação do Pai-Nosso e a bênção final.![]()
Noticia: Santa Sé define estratégia concertada contra abusos sexuais.
Cidade do Vaticano, 20 nov (SIR/RV) - O cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, anunciou a preparação de uma “circular” com linhas de orientação para todas as conferências episcopais, a respeito dos casos de abusos sexuais de menores, por parte de membros do clero. Intervindo na segunda parte do encontro de cerca de 150 cardeais de todo o mundo com o Papa, que decorreu esta sexta-feira no Vaticano, o cardeal norte-americano precisou que a iniciativa visa oferecer um “programa coordenado e eficaz”. Segundo um comunicado oficial da Santa Sé, D. William Levada apresentou uma comunicação intitulada “Resposta da Igreja aos casos de abuso sexual: rumo a uma orientação comum”. O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé ofereceu uma “atualização sobre a legislação canônica relativa ao delito de abuso sexual sobre menores” e destacou a “mais ampla responsabilidade dos bispos pelas tutela dos fiéis que lhes são confiados”. Neste contexto, o cardeal que substituiu Joseph Ratzinger à frente da referida Congregação aludiu ao exemplo de “escuta e acolhimento das vítimas” por parte de Bento XVI e falou da “colaboração com as autoridades civis”. Para o cardeal prefeito, é necessário um “compromisso eficaz de proteção das crianças e dos jovens”, bem como “uma atenta seleção e formação dos futuros sacerdotes e religiosos”. A Santa Sé revelou que no tempo aberto à discussão houve 12 intervenções de cardeais, durante as quais foi sugerido que as conferências episcopais desenvolvam “planos eficazes, atualizados, articulados, completos e decididos para a proteção dos menores”. Esses planos devem ter em conta os vários aspectos do problema e linhas de intervenção, “seja para restabelecer a justiça, seja para a assistência das vítimas”, procurando a prevenção e formação, “mesmo nos países onde o problema não se manifestou de modo tão dramático como noutros”. A este respeito, o cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris, referiu os jornalistas ter sido sugerido por vários participantes que se verifique a situação nos países não ocidentais. É preciso “consultar as conferências episcopais desses países para ver o que se passa”, afirmou. O cardeal Levada falou também sobre a constituição apostólica “Anglicanorum coetibus”, de Bento XVI, que abre portas ao regresso de grupos anglicanos descontentes à Igreja Católica. O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé falou do “contexto ecumênico” e da situação atual a respeito dos ordinariatos especiais previstos por Bento XVI para os fiéis anglicanos que desejem regressar “corporativamente” à comunhão com Roma. O primeiro desses ordinariatos vai ser criado na Inglaterra, já em janeiro de 2011, como foi anunciado neste dia 19 de novembro pela conferência episcopal local. O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato, abordou os 10 anos da declaração “Dominus Iesus”, texto que trata da “unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja”. Para o antigo secretário do então cardeal Joseph Ratzinger, a declaração por este assinado deu “clareza a algumas verdades cristológicas fundamentais”, apresentando o diálogo ecumênico e inter-religioso desde uma perspectiva de “identidade católica”, sem fechar as “vias de pesquisa positivas, indicadas pelo Concílio, sobre a grande questão da salvação dos não cristãos”. D. Angelo Amato considera que a “Dominus Iesus” deixa um alerta contra “um pluralismo mal-entendido” e continua a ser um “apelo válido de clareza doutrinal e pastoral”. No decorrer do debate, foi decidido “manifestar a solidariedade do colégio cardinalício – unido ao Santo Padre – com o povo do Iraque e do Haiti”, colocando em andamento uma iniciativa concreta de recolha de ofertas, a enviar através do Conselho Pontifício “Cor Unum”. Bento XVI encerrou esta parte final dos trabalhos, com pouco mais de duas horas, deixando palavras de agradecimento a todos os presentes.
Noticia: Bento XVI visitará a Alemanha em 2011.
Berlim, 19 nov (SIR) - Bento XVI realizará uma visita oficial à Alemanha, seu país natal, no segundo semestre de 2011, provavelmente em Setembro, anunciou esta sexta-feira a Conferência Episcopal Alemã. O Papa visitará Berlim, Fribrugo e Erfurt, a convite do presidente do país, Christian Wulff e dos bispos alemães. Bento XVI visitou a Alemanha em 2005, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em Colônia, e em 2006, uma viagem de caráter privado à Baviera, região onde nasceu. Para D. Robert Zollitsch, presidente do episcopado alemão, a visita será “um momento importante na vida do nosso país e da nossa Igreja”. Em 2011, Bento XVI vai visitar também a Croácia (em Junho) e a Espanha (em Agosto, para a JMJ 2011, em Madrid), admitindo-se que outras viagens possam ainda ser anunciadas.
Noticia: Bombeiro proíbe crucifixo e causa polêmica em Tatuí-SP
Uma ordem de serviço assinada pelo comandante do Corpo de Bombeiros de Tatuí (SP), capitão José Natalino de Camargo, causa polêmica na cidade. Ele mandou retirar todos os crucifixos e imagens de santos católicos das unidades sob seu comando. Hoje, os 11 vereadores da Câmara local assinaram moção repudiando a medida tomada pelo militar. Camargo alegou que a exibição de símbolos católicos em repartições públicas causa “constrangimento” a pessoas que professam outra fé. Na moção aprovada por unanimidade, os vereadores consideram que o militar usou termos desrespeitosos ao se referir aos símbolos católicos. “O ato é arbitrário, com expressões equivocadas, desrespeitosas e imprudentes sobre a religião católica, refletindo total falta de sensibilidade”, diz a nota da Câmara.Para ele, imagens e crucifixos fazem “apologia” da religião católica e contribuem para a “manutenção da falsa crença de que aquela religião seria a única detentora da benesse estatal”. O capitão invocou ainda a Constituição Federal que, segundo ele, estabelece que o Estado brasileiro é laico e, portanto, a exibição dos símbolos seria ilegal e inconstitucional. A comunicação foi repassada às unidades e postos dos bombeiros sob o comando do Grupamento de Tatuí, com ordem para cumprimento imediato. De acordo com os vereadores, a ordem de serviço fere o livre direito de professar a fé, também defendido pela Constituição. O comando regional da Polícia Militar (PM), ao qual se subordinam os bombeiros, não se manifestou a respeito. O pároco de Tatuí, padre Milton de Campos Rocha, estava em viagem e não foi localizado.
Chiara Luce será beatificada hoje. (texto de 2000)
Chiara Luce BadanoSantidade aos 18 anos
Uma jovem bela, cheia de vida, atleta, ativa.
Uma jovem normal, uma cristã.
Depois, inesperadamente a doença, a agonia, a morte.
Uma escalada rápida para o Céu.
Encaminhado o processo da sua beatificação.
extraído de um artigo de Michele Zanzucchi - Città Nuova
Parecia apenas mais uma entre tantos jovens do Movimento dos Focolares, os “Gen” (Geração Nova). Como vários deles, morreu cedo. Nela percebemos uma certa predileção de Deus. Lemos alguns escritos seus e soubemos do funeral, que foi definido uma “festa de núpcias”. Tínhamos rezado por ela e por sua família.
Mas, seus gestos e palavras voltam regularmente à tona, graças à divulgação feita pelos seus amigos e pelo seu bispo, e graças a seus escritos, sua biografia e um vídeo amador sobre sua história. O fato é que a vida de Chiara Luce Badano continua contagiando milhares de pessoas. Como escreve o Abbé Pierre:“Os santos não estão limitados a um catálogo, e nós, certamente, cruzamos com eles todos os dias”.Chiara Badano era uma destes santos da normalidade.
O nascimento tão esperado
Chiara Badano nasce em 29 de outubro de 1971, em Sassello, cidadezinha graciosa no noroeste da Itália, primeira e única filha de Ruggero Badano, caminhoneiro, e Maria Teresa Caviglia, operária, casados há 11 anos. É fácil imaginar a enorme felicidade provocada por esse nascimento. ”Mesmo com esta alegria imensa, compreendemos logo – conta a mãe – que ela não era somente nossa filha, mas que era, antes de tudo, filha de Deus”. A infância transcorre tranqüila. Porém com uma nota de serenidade incomum. A mãe deixa o trabalho para cuidar da filha. Diálogo e afeto se misturam com momentos em que se deve dizer “não” aos caprichos de Chiara que, querendo ou não, corre o risco de crescer mimada. “Tínhamos consciência desse risco! Por isso, desde os primeiros anos, queríamos deixar as coisas bem claras. Não perdíamos a oportunidade de ajudá-la a fazer as coisas diante de Deus”, diz a mãe.
Algo muito importante
Maria Teresa conta um episódio:“Uma tarde ela chega em casa com uma linda maçã vermelha. Questionada, Chiara responde que pegou a fruta no quintal da vizinha. Explico-lhe que ela deve pedir antes de pegar e que, por isso, deve devolver a maçã, pedindo desculpas à vizinha. Mas ela fica acanhada e não quer ir. Insisto: é muito melhor dizer a verdade do que comer uma boa maçã. Então, Chiara procura aquela senhora e lhe explica tudo. À noite, nossa vizinha traz uma cesta de maçãs para Chiara, justificando: “Hoje ela aprendeu algo muito importante”.
Aquele encontro aos nove anos
Chiara manifesta muito cedo um caráter generoso. Numa tarefa, quando estava no primeiro ano da escola, escrevendo ao Menino Jesus, não lhe pede brinquedos, mas:“Ajude a vovò Gilda a sarar e todas as pessoas que não estão bem”. É conciliadora, embora saiba defender suas idéias e discutir com os pais. Mas esse “rompimento” dura apenas alguns minutos. Uma recordação daquele período: a mãe lhe pede que lave a louça.“Não, não quero”, responde ela. E vai para o quarto. Logo depois volta e diz:“Como é aquela história do Evangelho, dos dois operários que devem ir à vinha, e um diz que sim, mas não vai, e o outro diz que não, mas vai? Mamãe, me dê o avental”. E lava a louça.
Fatos como estes atestam a educação cristã sólida que recebe, graças também à comunidade paroquial, ao pároco que lhe dá aulas fascinantes de catecismo, e também às amizades que Chiara constrói. Tem um fraco pelas pessoas idosas, e procura ajudá-las.
Aos nove anos participa de um encontro das Gen 3 (crianças e adolescentes dos Focolares) e conhece o ideal da unidade. Um ano depois, em 1981, seus pais participam do Familyfest, um grande encontro para famílias promovido pelo Movimento. Sua mãe conta: “Voltando para casa, dizíamos que se tivéssemos que responder quando tínhamos casado, responderíamos: quando encontramos este Ideal”. Desde aquele momento, a família Badano será um exemplo de respeito, calor e unidade.
No seu diário, Chiara escreve alguns fatos simples sobre o seu esforço de construir a unidade. Por exemplo:“Uma amiga está com catapora e todos têm medo de visitá-la. Com o consentimento dos meus pais, eu levo todo dia os deveres de casa para que ela não se sinta sozinha”.
Esporte, afetos e… uma viagem decisiva
Santo Agostino repetia muito que “o amor nos torna belos”. Chiara é, de fato, revestida da beleza evangélica, mesmo se naturalmente já é uma jovem bela. Chiara é uma menina cheia de energia e tem um caráter bem definido. Mas, nas suas fotos o que mais atrai é o seu olhar, nem retraído nem agressivo. Apenas límpido.
A adolescência transcorre na normalidade mais absoluta. Em 1985, vai com a sua família para outra cidade a fim de cursar o ginásio. Apesar do empenho, é reprovada na oitava série. Isso a faz sofrer muito.
Com os pais surgem alguns desentendimentos, por exemplo quanto ao horário de voltar para casa. Chiara gosta muito de sair à noite com os amigos, sobretudo nos fins de semana. Mas, o afeto familiar é mais forte e chegam a um entendimento.
Chicca Coriasco, grande amiga e confidente, diz: “Ela tinha um grande preparo humano. Gostava de vestir-se bem, de pentear-se com cuidado, e às vezes, de se maquiar, mas sempre de forma discreta”.
Está sempre rodeada de amigos e amigas.
É uma grande atleta:
tênis, natação, escaladas nas montanhas.
Não consegue ficar parada.
Gosta muito de dançar e cantar.
Muitos rapazes se interessam por ela, mas ela é uma sonhadora. Algumas vezes, olhando para um ou outro, diz à amiga: “Aquele me agrada”. Nada além disso.
Verão de 1988. Pouco depois de saber que tinha sido reprovada em matemática, acompanha um grupo de crianças, as Gen 4, a um congresso em Roma. Sente o coração apertado por ter sido reprovada, mas não dá sinais de tristeza. Escreve aos pais: “Chegou um momento muito importante: o encontro com Jesus Abandonado. Abraçá-lo não foi fácil; mas esta manhã Chiara Lubich explicou às Gen 4 que ele deve ser o esposo delas”.
Chiara Badano mantém com Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, uma densa correspondência, ma, sobretudo, um relacionamento intenso e vital até o fim, quando dirá: “Devo tudo a Deus e a Chiara”. Quando lhe pediu um “nome novo”, um programa de vida, a resposta foi “Chiara Luce”, ‘Clara Luz’. Era para lembrar que sua vida deveria ser expressão da luz de Deus .
O diagnóstico imprevisível
Um fato imprevisível. Ao jogar tênis, Chiara sente uma forte dor no ombro. De início, nem ela nem os médicos dão grande importância. Mas as dores continuam e ela precisa fazer exames mais aprofundados. O diagnóstico: sarcoma osteogênico com metástase, um dos tipos mais graves e dolorosos de tumor. Depois de um longo silêncio, sem choro nem rebelião, Chiara acolhe a notícia com coragem: “Eu vou suportar. Sou jovem”, diz. Seu pai comenta, depois: “Tínhamos a certeza de que Jesus estava em nosso meio. Ele nos dava forças”. Começa uma profunda transformação, uma rápida escalada à santidade.
Os tratamentos iniciam e o altruísmo de Chiara chama a atenção. Descuidando-se do repouso, sai da cama e, apesar da dor intensa provocada pela grande calosidade óssea nas costas, se dedica a uma jovem toxicodependente deprimida, acompanhando-a por toda parte: “Depois eu encontro um tempo para dormir”, afirmava ela.
O filósofo Cioran se perguntava: “Já se viu um santo alegre?”. Chiara Luce é assim, porque Jesus se torna sempre mais o seu “esposo”. Escreve: “Jesus me mandou esta doença no momento certo”.
É internada num hospital em Turim. Um gen disse: “No início íamos visitá-la para lhe dar força, mas logo vimos que não podíamos mais nos separar dela. Ela nos atraía como um ímã”.
A doença se desenvolve de forma impiedosa, mas Chiara procura ter uma vida normal e alegre.
E um dos médicos, Antonio Delogu: “Chiara demonstra com seu sorriso, com seus grandes olhos luminosos, que a morte não existe; existe somente a vida”. Nos meses seguintes, Chiara enfrenta duas dolorosas operações. A quimioterapia causa a queda dos cabelos, o que a faz sofrer bastante. A cada cacho de cabelo que perde, repete um simples mas intenso: “Por ti, Jesus”. Os pais, sempre presentes, lembram a ela que sob aqueles sofrimentos existe um misterioso desígnio de Deus.
A um amigo, que partia para uma missão humanitária na África, ela doa todo o dinheiro que havia economizado, dizendo: “Para mim não serve, eu tenho tudo”.
Nada de morfina. “Por mais um pouco de tempo, quero dividir a cruz com Ele”
Chiara narra como enfrentou uma dolorosa biópsia: “Quando os médicos começaram a fazer a cirurgia - pequena mas muito incômoda -, chegou uma pessoa, uma senhora, com um sorriso muito luminoso; era linda. Aproximou-se de mim, segurou minha mão e infundiu coragem ao meu coração. Do mesmo modo que chegou, também desapareceu: não a vi mais. Fui invadida por uma alegria imensa, e o medo que eu sentia desapareceu. Naquela ocasião entendi que, se estivéssemos sempre prontos a tudo, Deus nos mandaria muitos sinais”.
Aos poucos, Chiara perde os movimentos das pernas. Afirma: “Se eu tivesse que escolher entre caminhar ou ir para o paraíso, escolheria essa última possibilidade”. Não há mais esperança de cura. Chega o momento da provação, que é intensa. Mas ela não se rende, ajudada também por Chiara Lubich, que lhe escreve:“Deus tem um amor imenso por você e quer penetrar no íntimo da sua alma e fazer com que você experimente gotas de céu”. Apesar das dores intensas, recusa a morfina para se manter consciente de seus atos e explica: “Não quero perder a lucidez, porque a única coisa que posso fazer é oferecer a dor a Jesus. Quero compartilhar com ele, ainda por um pouco, a sua cruz”.
Chiara Luce já se comporta como uma pessoa espiritualmente madura. Um médico, Fabio De Marzi, lhe escreve: “Não estou acostumado a ver jovens como você. Sempre encarei a sua idade como o tempo das grandes emoções, das alegrias intensas, dos grandes entusiasmos. Você me ensinou que esta é, também, a idade de uma maturidade absoluta”.
Aquele luz no olhar, de onde vem?
19 de julho de 1989. Chiara enfrenta uma forte hemorragia e quase morre. Nesta ocasião diz: “Não derramem lágrimas por mim. Eu vou para Jesus. No meu funeral não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte»”.
Durante a aplicação do soro na veia, Chiara comenta: “O que é esta gota que cai, em comparação com os pregos nas mãos de Jesus?”. E acompanha cada gota com um: “por ti, Jesus”. Recebe a visita de um cardeal que lhe pergunta: “De onde vem essa luz maravilhosa que você tem nos olhos?”. E ela responde: “Procuro amar muito Jesus”.
Algumas vezes acontece algo incomum -, ela pede que os pais não deixem os amigos entrarem em seu quarto. Certo dia explica sua atitude: ”Não era sinal de tristeza ou de falta de afeto. Pelo contrário. Eu agia assim porque tinha dificuldade de descer do ponto no qual habitava (com Deus), para depois subir outra vez”. Todos os que estavam próximos dela experimentavam uma “atmosfera de paraíso”. Escreve aos amigos: “Um outro mundo me esperava e eu não podia fazer outra coisa senão abandonar-me. Mas agora me sinto envolvida por um esplêndido desígnio que pouco a pouco me é revelado”.
A festa de núpcias
Num de seus últimos dias ela diz: “Não peço mais a Jesus que ele venha me buscar para me levar ao paraíso; não quero lhe dar a impressão de que não quero mais sofrer”. Não pede mais a saúde, mas a capacidade de fazer a vontade de Deus. Consciente de sua situação, ela mesma prepara com a mãe o funeral, a “festa de núpcias”, como costumava dizer. E explica como confeccionar a roupa; escolhe as músicas, as flores, os cantos e as leituras: “Enquanto você estiver me preparando, mamãe, deverá repetir: agora Chiara Luce está vendo Jesus”.
“As expressões desse seu último período, segundo Maria Grazia Magrini, responsável pela coleta do material sobre Chiara Luce para o “processo de beatificação” – se parecem muito com as de Teresinha do Menino Jesus”. E lembra uma das últimas frases da santa: “É preciso saber morrer de alfinetadas antes de morrer por golpes de espada”.
Domingo, 7 de outubro de 1990, 4h. O momento do encontro com o seu “esposo”. Ao seu lado estão o pai e a mãe. Do lado de fora da porta, os amigos. Clima de paz e quase de naturalidade. Suas últimas palavras são dirigidas à mãe: ”Tchau. Esteja feliz porque eu estou feliz”.
Duas mil pessoas participam do funeral. Fala-se de paraíso, de alegria, de escolha radical de Deus, segundo o exemplo de Chiara Luce. Na homilia, o bispo diz: “Eis o fruto da família cristã, de uma comunidade de cristãos, o resultado de um Movimento que vive o amor recíproco e tem Jesus em meio”.
Os efeitos da sua experiência continuam após a sua morte, naqueles que dela tomam conhecimento, pois sentem-se impulsionados a viver com radicalidade o Evangelho, e a escolher Deus como tudo. É uma “santidade” contagiosa.
A fama de Chiara Luce se difunde, lentamente mas decididamente. Por iniciativa do bispo ela é declarada “serva de Deus”. Agora o processo de beatificação prossegue no Vaticano.
“Sejam uma geração de santos”
A este ponto é espontâneo perguntar: quem é santo nos dias de hoje? Certamente, só Deus é santo. Mas nas Escrituras lê-se: “Sejam santos, porque eu sou santo”. Nos Atos dos Apóstolos, os cristãos são chamados simplesmente de “santos”. Santo é aquele que reflete a única santidade, a de Deus, manifestando virtudes provadas, caridade sem limites, confiança total em Deus. Então, Chiara Luce parece ser assim.
Um último aspecto deve ser enfim colocado em relevo. O Cardeal Martini escreve: “A santidade acontece em cachos, não é somente um grão, mas o seu conjunto que se torna fermento, sal da terra, luz do mundo”. Chiara Lubich desde o nascimento dos gen, quis popror aos jovens do Movimento um projeto elevado: “Sejam uma geração de santos”. Pois bem, Chiara Luce não está só, porque outros numerosos jovens do Movimento dos Focolares morreram com as mesmas disposições que ela. Para três deles já foram iniciados os processos de beatificação.
